O Natal do esquilo

O esquilo Nuno levantou-se bem cedo naquele dia. Era véspera de Natal e ele queria encontrar um presente para oferecer aos seus pais.

Explicou à mãe que lhe queria fazer uma surpresa e por isso tinha que ir sozinho. A mãe resolveu deixa-lo ir:

– Eu sei que já conheces bem o bosque, mas fico mais descansada se o sapo Sopinhas for contigo. De qualquer forma, não te afastes muito, pois quero-te em casa a horas para almoçar.

– Combinado! E vai ser ótimo ir com o Sopinhas, ele conhece o bosque melhor do que ninguém.

E lá foi ele, todo contente, em busca do presente perfeito.

O Nuno tinha ouvido falar de uma grande árvore com as maiores nozes que alguma vez uma árvore produziu. E ele, claro, queria apanhar algumas dessas nozes. Seria o melhor presente para oferecer no Natal. O problema é que a árvore ficava nos confins do bosque, num sítio que o esquilo não conhecia muito bem.

– Sopinhas, conheces o caminho para a grande árvore do bosque? A que tem as maiores nozes do mundo?

– Hmmm… por acaso acho que sei o caminho, mas não sei se devemos lá ir. É muito longe, Nuno!

– Vá lá, por favor. Queria tanto oferecer dessas nozes aos meus pais. – respondeu o esquilo.

O sapo Sopinhas hesitou, mas lá se deixou convencer pelo esquilo.

O caminho era de facto complicado. Deram voltas e mais voltas, mas acabaram por conseguir encontrar a árvore.

– És o maior, Sopinhas. Conseguimos! – gritou de alegria o esquilo Nuno.

O Nuno começou logo a recolher nozes, mas as maiores estavam bem lá em cima, no topo da árvore.

– Tenho que subir até lá acima, preciso de apanhar aquelas maiores. – disse o Nuno.

– Não é boa ideia, Nuno, temos que regressar. – respondeu o Sopinhas, um pouco preocupado. Mas o Nuno não lhe ligou e começou a subir.

Como seria de esperar, era difícil chegar às nozes maiores e por isso o Nuno demorou imenso tempo. Quando finalmente desceu o sapo Sopinhas já estava verdadeiramente preocupado:

– Temos que ir já embora. E já não vamos chegar a tempo do almoço, como tínhamos prometido à tua mãe.

Puseram-se a caminho, mas ao fim de pouco tempo, perceberam que estavam perdidos e não sabiam voltar:

– Ai, ai, esta árvore não estava aqui, virei para o lado errado nalgum sítio. – disse muito aflito o Sopinhas.

O gato Mizzi, que por ali andava, foi ter com eles e disse:

– Olá Sopinhas, o que fazem por estas bandas? Não costumo ver sapos nem esquilos por aqui!

O sapo Sopinhas conhecia todos os animais do bosque, e o gato Mizzi não era exceção. Contou-lhe o que se passava e o Mizzi logo se ofereceu para ajudar:

– Não conheço bem a vossa zona, mas posso tentar ajudar.

E os três seguiram caminho, ziguezagueando pelo emaranhado de árvores do bosque.

Entretanto, a mãe esquilo estava muito preocupada. O filho não tinha aparecido para almoçar (lasanha de bolota, que ele adorava), nem para lanchar (panquecas de bolota com compota de mirtilos, imperdível). Ia anoitecer dentro de pouco tempo e de noite o bosque é perigoso e é muito fácil um esquilo perder-se. Ao verem a aflição da mãe esquilo, os vizinhos resolveram ajudar.

– Tive uma ideia, mãe esquilo. – disse logo um passarinho. – Eu e os meus amigos vamos pintar algumas das bolotas desta árvore, para que mesmo ao longe, chame à atenção do esquilo Nuno. Assim será mais fácil ele encontrar o caminho de volta.

– E nós vamos fazer uma grande estrela de folhas, para colocar no topo da árvore. – acrescentou logo um coelhinho.

– E como a noite se aproxima, vou chamar alguns dos meus amigos, para iluminarmos a árvore. – disse entusiasmado um pirilampo.

A mãe esquilo adorou a ideia, e todos juntos enfeitaram e iluminaram a árvore dos esquilos.

O esquilo Nuno, o sapo Sopinhas e o gato Mizzi continuavam a andar pelo bosque, sem saber muito bem qual a direção certa.

– E agora que já está escuro é que não vamos mesmo conseguir. – disse muito triste o esquilo Nuno – Desculpa Sopinhas, devia ter-te dado ouvidos. – e sentou-se numa pedra, a chorar.

– Olhem, olhem! – gritou o Mizzi – Conseguem ver ali ao longe? Naquela direção… uma estrela enorme, em cima de uma árvore colorida e cheia de luzinhas. O que será aquilo?

– Daqui não consigo ver bem. Esperem, já venho. – respondeu o Nuno, subindo pela árvore mais alta das redondezas. – Viva, estamos salvos, é a nossa árvore! - gritou de alegria.

Os três puseram-se novamente a caminho e desta vez conseguiram encontrar o caminho certo até à árvore.

Quando finalmente chegaram, o Nuno correu para os braços dos seus pais:

– Desculpem-me, eu não me queria perder. Eu só queria trazer estas nozes para vos oferecer.

– A culpa foi toda minha! – disse envergonhado o sapo Sopinhas.

– É noite de Natal e vocês voltaram, sãos e salvos, com a ajuda de tantos amigos. Temos que celebrar! Venham todos, juntem-se a nós e a esta linda árvore. – disse a mãe esquilo.

Todos levaram comida e fizeram um grande banquete junto à árvore dos esquilos. Foi uma noite magnífica e decidiram que todos os anos iriam enfeitar e repetir o banquete, para celebrar a amizade que os unia.