Dia de chuva

O Leôncio Rebuçado saiu de casa, muito preocupado.

– Parece que vai chover. – pensou mal humorado.

– Não posso ir muito longe, senão fico todo molhado!

E por ali ficou, sem fazer o que queria. Não fosse chover um pouco e estragar-lhe o resto do dia.

A Maria Antonieta, saiu de casa sozinha, na sua lambreta.

– Parece que vai chover. – pensou muito inquieta.

– Não posso ir muito longe, senão molho a camiseta.

E por ali ficou, sem fazer o que queria. Não fosse chover um pouco e estragar-lhe o resto do dia.

O Zé do camião saiu de casa, com um grande saco na mão.

– Parece que vai chover. – pensou meio resmungão.

– Não posso ir muito longe, senão molho o blusão.

E por ali ficou, sem fazer o que queria. Não fosse chover um pouco e estragar-lhe o resto do dia.

O vizinho do Luís saiu de casa, carregado com dois barris.

– Parece que vai chover. – pensou muito infeliz.

– Não posso ir muito longe, senão molho o meu nariz.

E por ali ficou, sem fazer o que queria. Não fosse chover um pouco e estragar-lhe o resto do dia.

A senhora advogada saiu de casa, muito séria e calada.

– Parece que vai chover. – pensou mesmo à entrada.

– Não posso ir muito longe, senão fico constipada.

E por ali ficou, sem fazer o que queria. Não fosse chover um pouco e estragar-lhe o resto do dia.

Mas o sol brilhava no céu e o João, que não é de meias palavras, perguntou ao pai:

– Parece que não chove. Podemos ir brincar para o jardim?

– Claro que sim! – respondeu ele.

E lá foram os dois brincar, que o dia estava bonito e tinham que aproveitar.